Ideário arminiano. Abordagens sobre a teologia clássica de Jacó Armínio: suas similaridades, vertentes, ambivalências e divergências.

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Ponderações sobre a efetiva liberdade do homem e sua fixidez em um determinado estado.

PONDERAÇÕES SOBRE A EFETIVA LIBERDADE DO HOMEM E SUA FIXIDEZ EM UM DETERMINADO ESTADO

Nas diversas páginas virtuais, ou físicas, ligadas a assuntos teológicos, testemunha-se certo zelo espiritual, assumido e enfatizado por alguns companheiros de fé cristã, que rejeita a ênfase na condição humana de ser livre, ou de ser de escolhas efetivas, explicitada claramente nas Escrituras. Esse zelo, ou excesso de zelo, deixa de levar em consideração que a liberdade relacionada à salvação, conta com o fato primordial -, a graça de Deus, disposta a todos os homens, como destaca o seguinte verso -: “Porque a graça salvadora de Deus se há manifestado a todos os homens”. (Tito 2:11). Também ignora, que a revelação direcionada à Igreja -: “aquele que beber da água que eu lhe der nunca terá sede, porque a água que eu lhe der se fará nele uma fonte de água que salta para a vida eterna”. ( Jo 4.14) – não se restringe a igreja, pois ela, como evangelizadora, deve estendê-la a toda a criatura. Essa revelação, já está a explicitar a liberdade do homem, entre o aceitar e o rejeitar, realidade que se repete em forma de convite: "E o Espírito e a esposa dizem: Vem. E quem ouve, diga: Vem. E quem tem sede, venha; e quem quiser, tome de graça da água da vida. (Apocalipse 22:17).

Pelo caráter de convite -, convite à salvação -, esse chamado se apresenta como condicional, e, implicitamente, apresenta a possibilidade da salvação aberta a quem desejar acolhê-lo. Relembrando que, como no verso anterior, apesar de o último verso citado ser proveniente de uma epístola direcionada à Igreja, não se deve esquecer que a missão designada a Ela (Igreja) é a evangelização, portanto, a boa nova da água disponível a quem deseja beber deve ser propagada a todo o mundo, consequentemente, esse convite não é restrito a um meio chamado Igreja, sendo só ela livre para aceitá-lo ou rejeitá-lo, não, é estendido ao mundo - que a igreja deve evangelizar -, para que a parcela que acolhê-lo se faça integrante do corpo chamado Igreja. O convite não é feito restritamente à Igreja, é feito ao mundo para que, os de suas fileiras, aceitando-o, se faça Igreja.  

Quanto à eternidade da Salvação, pode-se, amparado nas Escrituras, afirmar que há a salvação consumada, aquela alcançada por aqueles que já receberam a coroa, porém, há a salvação por se confirmar, essa salvação a ser confirmada é caracterizada por todos que, regenerados, ainda labutam nessa existência, e como tais, ainda esperam pelo selo final, o selo confirmatório, ou a coroa da vida. Essa realidade pode ser percebida na exposição paulina abaixo:  

“E, na verdade, tenho também por perda todas as coisas, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; pelo qual sofri a perda de todas estas coisas, e as considero como escória, para que possa ganhar a Cristo,
E seja achado nele, não tendo a minha justiça que vem da lei, mas a que vem pela fé em Cristo, a saber, a justiça que vem de Deus pela fé;
Para conhecê-lo, e à virtude da sua ressurreição, e à comunicação de suas aflições, sendo feito conforme à sua morte;
Para ver se de alguma maneira posso chegar à ressurreição dentre os mortos.
Não que já a tenha alcançado, ou que seja perfeito; mas prossigo para alcançar aquilo para o que fui também preso por Cristo Jesus.
Irmãos, quanto a mim, não julgo que o haja alcançado; mas uma coisa faço, e é que, esquecendo-me das coisas que atrás ficam, e avançando para as que estão diante de mim,
Prossigo para o alvo, pelo prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus”.
(Fl 3.8-14).

Assim como salvação é parcial, enquanto não for efetivada, enquanto não se configurar como salvação confirmada, a perdição também. Da mesma maneira como o apóstolo prosseguia para alcançar o que ainda não havia alcançado definitivamente, e não considerava que já havia alcançado o que almejava, pode-se encarar o pecador, em sua condição de pecador, um ser perdido, porém, embora rumando para a perdição, deve-se percebê-lo como alguém com possibilidades de ser alvejado pela graça: "Por isso diz: Desperta, tu que dormes, e levanta-te dentre os mortos, e Cristo te esclarecerá".  (Ef 5. 14) 

Portanto, todo aquele que ainda caminha, que ainda combate o bom combate, deve adotar o pensamento paulino de uma salvação ainda por se consumar, como orientador, procurando manter seus passos ciosos na busca da consumação da esperança escatológica que o incita a prosseguir.

Lailson Castanha

3 comentários:

  1. Por que você desconsidera o compatibilismo?

    ResponderExcluir
  2. Companheiro anônimo, saúde.

    As Escrituras me fazem visualizar possibilidades e desejos distintos.
    Há o desejo de Deus em salvar e o desejo do homem de abandonar o estado de rebeldia para ser salvo; nesse quadro a vontade de Deus se efetiva.
    Há o desejo do Deus em salvar sem ser acolhido homem, que deseja permanecer em sua rebeldia; nesse quadro a vontade de Deus não redunda em salvação.

    Nas duas relações destacadas vontade de Deus acolhida e vontade de Deus acolhida ou rejeitada, percebe-se duas realidades , a saber: aquele que alveja e o alvo.

    Porém, apesar de perceber as distintas posições, não estou a negar a soberania de Deus, pois foi soberanamente que Deus desejou que o homem aceitasse sua oferta a partir de sua liberdade, e não como um autômato, que vivencia o que já estava estabelecido.

    ResponderExcluir
  3. Ao passar pela net encontrei seu blog, estive a ver e ler alguma postagens
    é um bom blog, daqueles que gostamos de visitar, e ficar mais um pouco.
    Tenho um blog, Peregrino E servo, se desejar fazer uma visita.
    Ficarei radiante se desejar fazer parte dos meus amigos virtuais, saiba que sempre retribuo seguido
    também o seu blog. Minhas saudações.
    António Batalha.
    Peregrino E Servo.

    ResponderExcluir

Minha foto
Como Jacobus Arminius acredito que: "As Escrituras são a regra de toda a verdade divina, de si, em si, e por si mesmas.[...] Nenhum escrito composto por Homens, seja um, alguns ou muitos indivìduos à exceção das Sagradas Escrituras[...] está isento de um exame a ser instituído pelas Escrituras. É tirania, papismo, controlar a mente dos homens com escritos humanos e impedir que sejam legitimamente examinados, seja qual for o pretexto adotado para a tal conduta tirânica." (Jacobus Arminius) - Contato: lailsoncastanha@yahoo.com.br

Arquivo do blog

Visitas:

Visitantes online:

Seguidores